Publicado por: jgnrocaz | 13 de Maio de 2009

3 REAs RELEVANTES

Procurar na imensidão da rede três posts relevantes sobre Recursos Educacionais Abertos (REAs) não é tarefa fácil. Na verdade deparei-me com um universo quase totalmente desconhecido. Desconhecido porque a primeira actividade da UC de Materiais e Recursos para e-Learning (MREL 09) permitiu já um primeiro contacto com esta realidade. Onde, quer a quantidade, quer a qualidade e pertinência de muitos, constituem factores que contribuem para a dificuldade da escolha.  

Optei, assim, pelos seguintes posts, que considerei relevantes, pelo interesse que me suscitaram:

  •  Um post de Jane Park, intitulado Open Translation Tools 2009, em Creative Commons, que remetia para a importância de ferramentas abertas de tradução para as línguas nativas, como forma de reduzir barreiras no acesso aos recursos educacionais abertos.

 

 

  • Finalmente Cameron Parkins, com o seu post Apture, fala de uma ferramenta assim chamada e que tem o condão de “permitir aos criadores de conteúdos encontrar e incorporar recursos multimédia relevantes directamente para as suas páginas, através de janelas e links a outras páginas e posts, automaticamente”, o que se afigura interessante na perspectiva de quem use a blogosfera como veículo de recursos educacionais abertos.

 REAs de TRADUÇÃO

 Partindo da ideia de que os REAs têm por finalidade a remoção de barreiras ao acesso generalizado ao conhecimento. Sendo os recursos educacionais veículo desse mesmo conhecimento, disponibilizando-o gratuitamente ou a baixo custo, ao abrigo de direitos de autor que “permitam o seu uso, reutilização, adaptação e  redistribuição (partilha)” [Gurell, Seth, Open Educational Resources Handbook 1.0, Editado por David Wiley, Philadelphia – 2008], a possibilidade de tradução para línguas “vernáculas” (por oposição ao inglês, língua que se impôs no campo do progresso tecnológico e científico, desde a Revolução Industrial), representa, sem dúvida uma forma de alcançar tal ensejo.

No caso vertente, a tradução de REAs depende de direitos de autor que permitam a alteração, a transformação e a construção de trabalhos a partir da mesma fonte, isto é, não sejam abrangidos por uma licença ND (No Derivative).

 Refere Jane Park que, apesar das ferramentas abertas online, muitos recursos continuam por traduzir, o que levou a FLOSSManuals.net e a Translate.org.za, com o apoio do Instituto Sociedade Aberta (Open Society Institute) a realizar uma conferência através da  Open Translation Tools 2009 com a finalidade de reunir os interessados em conteúdos de tradução aberta a fazerem uma avaliação do estado das ferramentas de software de tradução de conteúdos abertos ou gratuitos, tais como o Creative Commons ou o Free Document License.

O evento servirá para mapear o está disponível, o que falta, quem faz o quê, com vista a apresentar estratégias para colmatar necessidades relacionadas com a tradução online, com especial enfoque para a sua aplicação no ensino aberto, no conhecimento aberto, nos direitos humanos e nas comunidades de blog.

Este levantamento sobre as ferramentas de tradução afigura-se relevante pois, desde o reconhecimento de caracteres aos aspectos gramaticais a experiência nesta área ilustra as suas deficiências, já que, embora facilitadores da tradução, não deixam, por enquanto de constituir uma barreira que urge ultrapassar.

 Quem já se socorreu de software de tradução aberto pôde comprovar que, por exemplo, as traduções de textos do inglês para o português, fornecem construções gramaticais e semânticas que só se tornam legíveis depois de uma cuidada revisão, em que o texto original é cruzado com esta tradução e com um aturado trabalho de quem traduz.

 REA – MANUAIS E COMPÊNDIOS ESCOLARES

 Os preços proibitivos dos livros e manuais escolares em suporte papel e a concorrência desenfreada das editoras e livraria, muitas vezes com a conivência dos poderes públicos, constituem obstáculos ao acesso ao conhecimento e à educação.

 Os manuais e compêndios escolares digitais abertos constituem-se, deste modo, a melhor alternativa aos seus precursores analógicos, já que acessíveis gratuitamente ou a preços mais baixos. E se atendermos aos programas de combate à info-exclusão, desde os incentivos fiscais ao programa e-Escola, com o intuito de “desenvolver a sociedade de informação, permitindo condições excepcionais de aquisição de um computador portátil com acesso Banda Larga”, quando efectivamente generalizado a todos os alunos e professores, não deixará de tornar ainda mais aliciante o recurso a livros e manuais escolares abertos e/ou gratuitos.

 Acresce a vantagem ecológica, já que a redução do consumo de papel não deixará de encontrar reflexo no abate de árvores, a matéria prima a partir da qual o papel é produzido.

 Correlacionada com a primeira reflexão, sobre recursos abertos de tradução, poderá estar associado o facto de a grande maioria dos livros e manuais abertos, quer escolares, quer técnicos e científicos, disponíveis online se apresentarem em língua inglesa.

 Da mesma maneira que onde há fumo, há fogo, onde há procura, não tarda que surja a oferta. É assim, que se encontram muitos repositórios online que fornecem e-livros a preços mais baixos ou, mesmo, gratuitamente Tais como:

  •  O Flexbook (fonte aberta e gratuita  de livros e manuais onde uma pessoa pode criar e editar colaborativamente);
  • Student PIRGs (Public Interest Research Groups – que organizam alunos, staff, faculdade e grupos da comunidade à volta de assuntos de interesse público, como o ambiente e a justiça social);
  • O site Lulu.com, que difunde e-livros gratuitamente e mediante pagamento;
  • Flatworld Knowledge – Que se constitui na charneira de uma rede de educação em que os alunos aprendem com os livros e uns com os outros, ao oferecer e-livros abertos a baixos preços e gratuitamente, em que alunos e professores os podem modificar e partilhar;
  • Conexions, um lugar para ver e partilhar REAs, feitos de pequenos módulos que podem ser organizados em cursos, livros, relatórios, a que todos podem aceder e dar o seu contributo.

 APTURE

“Uma nova ferramenta para os bloggers que permite “aos criadores de conteúdos o poder de encontrar e incorporar automaticamente itens de multimédia directamente para as suas páginas” através da adição de links e de pequenas janelas de navegação em páginas e posts”.

 A sua grande vantagem reside na simplicidade e rapidez com que se podem encontrar e incorporar links e, sobretudo a forma como um post ou outro trabalho podem ser ilustrados, através da activação de janelas de navegação ou de links que permitem visualizar multimédia relacionada com o tema, sem sair da mesma página, enriquecendo a comunicação.

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Responses

  1. Boa Noite, Rosalina

    Tenho estado aqui a perscrutar os posts dos nossos colegas, todos eles sem dúvida interessantes, mas, para quem destas novas TIC apenas conhecia a perspectiva do utilizador, isto é como chegar a uma janela e olhar o infinito! Já não posso olhar para nada com a visão de que o que vejo é o limite do visível ou do expectável: já nada tem limites!

    Permita-me que a congratule, não apenas pelo seu trabalho, mas pela sua atitude crítica, construtiva, inconformista, de quem caminha no sentido do aperfeiçamento constante.

    • Obrigada, José. 🙂

  2. Boa noite, José.

    Neste post interessou-me particularmente a referência ao texto de Cameron Parkins, Apture.

    Isto porque estou, neste momento, a desenvolver com um grupo de alunos o projecto Cadernos Diários Digitais. E se a ideia já vinha a ser alimentada desde o ano passado pela utilização da Plataforma Moodle, achei que este era o momento ideal para pôr em prática, fruto de tudo aquilo que temos vindo a aprender no Curso, recorrendo, nomeadamente, a ferramentas que só agora começo a explorar, neste caso o Wiki.

    Sem dúvida que esta nova ferramenta, se na prática permitir uma maior interactividade online, como Cameron Parkins preconiza no seu post, será um recurso pedagógico muito útil para o desenvolvimento deste projecto.

    Aproveito para acrescentar que o recurso ao Blog como ferramenta pedagógica me parece muito interessante, já que nestes espaços os alunos terão de filtrar toda a informação por forma a tornar dinâmicos e interactivos os seus projectos.

    Curiosamente, e como já estamos na fase de escolha da ferramenta para desenvolver o Caderno Diário Digital, os miúdos têm estado a escolher as ferramentas de acordo com as suas personalidades.
    Isto é, dos três que já me disseram qual a ferramenta que pretendem desenvolver, uma optou pelo Blog. Trata-se de uma aluna excelente que apesar de estar a frequentar apenas o 8ºAno, tem desenvolvidas capacidades do ponto de vista da organização que se aproximam muito do nível secundário. Foi desenvolvendo um apurado espírito de síntese crítico, e escolhendo o blog, aceita o desafio de apresentar os conteúdos filtrados pelas suas leituras. Já outra, aluna também trabalhadora, mas muito cuidadosa no que respeita a novas situações, ainda que com uma grande vontade de evoluir, optou pelo site. Assim, podendo também inovar, escolhe uma ferramenta que lhe dá a segurança de efectuar um bom trabalho de organização, evitando o risco da ousadia que o Blog permite. A outra, sem dúvida, a aluna, menos segura, opta pela organização em “pastas”. O processo que se aproxima mais do registo do Caderno Diário em suporte papel.


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